Memórias em Rede conecta jovens ao Museu da Pessoa e ao Instituto Paulo Freire

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Equipe do Instituto Devir Educom reunida em frente o Museu da Pessoa

Inspiração e conexão. Vinte e três jovens do projeto Memórias em Rede, do Instituto Devir Educom, visitaram espaços culturais que estão em consonância com as oficinas educomunicativas das quais participam: o Museu da Pessoa e o Instituto Paulo Freire, em São Paulo. Lá puderam conhecer os acervos e, na função de ‘repórteres’, realizar ‘coletivas de imprensa’.

A atividade pedagógica integra o eixo Território da metodologia do projeto, que atua sob os eixos Eu, Escola, Família e Território, trabalhando em cada um deles o jornalismo cidadão, a educação midiática e em direitos humanos, a tecnologia social da memória e a saúde mental individual e coletiva.

O Museu da Pessoa foi a primeira parada do grupo, que conseguiu captar a sintonia do espaço cultural com o Memórias em Rede. Afinal, o projeto santista está em total ressonância com o museu, considerado colaborativo de histórias de vida de qualquer pessoa da sociedade. Ambos valorizam memórias afetivas, despertando nos adolescentes o gatilho do protagonismo e do reconhecimento de suas histórias ancestrais e atuais, aspectos trabalhados nas oficinas.

De acordo com a gestora do Devir, Andressa Luzirão, a forte identificação com o Museu da Pessoa o torna ponto obrigatório quando os jovens alcançam o 4º eixo da Metodologia dos Círculos: Território. Criada pelo Devir sob a inspiração dos Círculos de Cultura do educador Paulo Freire, a ferramenta trabalha o jornalismo na escola, a educação para e com as mídias, a produção de conteúdo e o uso de recursos da Comunicação e das tecnologias digitais contextualizados à vida dos estudantes, em diálogo com suas histórias e memórias afetivas.

Para o jovem Daniel Luiz da Silva, 15 anos, aluno da escola municipal Avelino da Paz Vieira e integrante do Clube Jovem de Educomunicadores, a visita superou as expectativas. “Lá é incrível! Dar visibilidade a histórias invisíveis e fazer com que não desapareçam, mas estejam registradas é uma coisa de outro mundo. É de uma grandeza e valor imaterial enorme”.

No local, o grupo de adolescentes assumiu o papel de repórter e realizou uma coletiva de imprensa com Sônia London, coordenadora do Educativo do Museu da Pessoa. “Qual é o impacto de conhecer uma história de vida nas pessoas? Maior empatia, tolerância, respeito ao outro e conhecimento do diferente. Uma história pode mudar a nossa forma de ver o mundo”, falou Sônia aos estudantes. E tudo fluiu como previsto, com questionamentos diversos, apontando o sucesso da ação realizada pelo instituto. “Foi a oportunidade de trabalharmos várias camadas com o grupo de jovens: expressão, protagonismo, oralidade, pertencimento, ampliação de repertório”, completou Andressa.

“PAULO FREIRE, DE ONDE ESTIVER, ESTÁ MUITO FELIZ”
A viagem cultural seguiu para o segundo espaço: o Instituto Paulo Freire, que colocou os jovens na atmosfera do educador que é referência no projeto Memórias em Rede. A história do patrono da Educação brasileira foi trazida pela professora Ângela Antunes, que contou histórias vivenciadas ao lado dele naquele mesmo espaço e destacou a resistência e luta de Freire por uma educação de qualidade.

“Esta é a biblioteca que ele foi organizando no tempo em que ficou exilado por 16 anos fora do Brasil. Paulo Freire foi um ser humano comprometido com a sociedade e um grande educador que deixou um legado para as histórias das ideias pedagógicas. Considero um presente da vida ter convivido com ele, um ser humano de amorosidade”, contou ela aos adolescentes.

Ângela também elogiou a participação deles, ao final, em entrevista concedida ao estudante Nicolas Tomaselli, 17 anos. “Quero parabenizar o trabalho, pois, pelas perguntas, interação e participação do grupo, a gente percebe a profundidade, a qualidade e a seriedade com que vocês vêm trabalhando a formação desses jovens. Paulo Freire, de onde estiver, tenho certeza que está muito feliz”.


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